IoT no Setor Financeiro: Bank of Things

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Inovação

A IoT CHEGA ÀS FINANÇAS: CONHEÇA O BoT, OU BANK OF THINGS

Assim é chamado o uso cada vez mais intenso da Internet das Coisas no mundo financeiro

A IoT enfim começa a ser usada em grande escala pelos bancos e pelas fintechs (startups financeiras) no Brasil. Estas empresas estão em massa recorrendo à Internet das Coisas para vender mais e melhores serviços financeiros aos clientes – ou até mesmo, surpreendentemente, para retomar o atendimento em agências físicas (prática que se acreditava já superada).

Um dos focos do uso da IoT em transações financeiras são os serviços de pagamentos e recebimentos feitos pelas instituições. Companhias nacionais especializadas na Internet das Coisas, como a DEV Tecnologia, já estão trabalhando no desenvolvimento de hardware e software especialmente para tais tarefas. E os clientes que elas terão não serão poucos, no Brasil e no restante do mundo.

Um exemplo é a PINbank, startup que oferece um banco virtual aos seus clientes. Ricardo Barletti, seu CEO, fala a respeito: “A PINbank já vem utilizando IoT há alguns anos em seus aplicativos. Para nós a utilização de soluções mobile para pagamentos ou outros serviços já é uma realidade, e para tanto dependemos da Internet das Coisas. É algo que só vai se acentuar”, acredita ele.

Ricardo Barletti – CEO da PINbank

“Estamos em um processo de evolução muito rápida no setor financeiro local, e um exemplo disso é a implantação dos sistemas de pagamentos instantâneos em novembro de 2020”, continua Barletti. “A IoT vem tendo um grande papel nisto através dos celulares, que estão substituindo os pagamentos tradicionais feitos com dinheiro físico ou cartões”, completa.

“Estamos em um processo de evolução muito rápida no setor financeiro local”

VAI INVESTIR? USE IoT

Ingrid Barth é cofundadora da Linker, plataforma de soluções financeiras focada no empreendedor. Lançada em 2019, a Linker espera conquistar 2 mil novos clientes neste ano, oferecendo ao empreendedor funcionalidades como cartão, cobrança e transferência. Até o final de 2020 a plataforma espera atingir 20 mil novos usuários.

Ingrid Barth – Cofundadora da Linker

“Principalmente em mercados como o de investimento muito pode ser criado com IoT”, afirma Ingrid. “Desde alertas programados quando uma ação ou um investimento batem determinados patamares quanto a criação de produtos que se adequam de acordo com o comportamento do consumidor – tudo isto virá via Internet das Coisas”. Como exemplo, a executiva cita o seguro de automóveis, que custará na proporção do uso do carro. E Ingrid completa: “As possibilidades são inúmeras, e pensar nisso é realmente empolgante! O ponto que ainda precisa ser discutido quando falamos de IoT e mercado financeiro são as questões de segurança – como garantir que as informações e dados estão sendo compartilhados de maneira segura”.

“Principalmente em mercados como o de investimento muito pode ser criado com IoT”

Nesta mesma linha vai Liciane Andreatta, CTO da financeira Bcredi. “As fintechs podem se beneficiar muito com a Internet das Coisas para a realização da coleta e do processamento instantâneo de dados”, observa ela. “Os sensores da IoT no mercado financeiro representam uma fonte de dados muito valiosa para que as empresas ofereçam produtos mais condizentes com o perfil de cada usuário. Ou seja, há a possibilidade de personalizar o atendimento de acordo com a demanda real do cliente, assim como efetuar um melhor gerenciamento de riscos e melhores decisões”.

Liciane Andreatta – CTO da Bcredi

Liciane garante: “Sem dúvida, as aplicações da IoT no nosso setor são muito ricas, já que ela pode facilitar o gerenciamento de riscos de concessão de crédito, assim como simplificar a experiência do cliente em um caixa eletrônico com o uso de ferramentas inteligentes, por exemplo. A loT é uma ferramenta que ajuda no processo de tomada de decisões, na simplificação de processos e na hora de oferecer um produto mais personalizado”.

AS AGÊNCIAS VÃO VOLTAR?

Nos últimos anos houve um movimento de redução, ou ao menos estagnação, do número de agências bancárias no Brasil. O principal responsável por isto foi o chamado internet banking, ou seja, o conjunto de tecnologias que permite que praticamente qualquer operação bancária seja feita em um computador pessoal ou, mais comumente, em um smartphone.

Porém o vento pode estar começando a soprar em outra direção neste campo. É o que acha Estevam Valle dos Santos, especialista em IoT da consultoria Everis Brasil. “Até pouco tempo atrás a moda era virtualizar o máximo possível os produtos financeiros por meio de apps e manter o foco no fechamento de agências. Mas os bancos começaram a entender a importância que os espaços físicos têm para seus clientes e seu negócio”, alerta. “A Everis Brasil acredita que 2020 será um ano com muitas novidades no setor. Uma demanda altíssima que vem dos clientes é o omnichannel, ou seja, todas as facilidades que foram desenvolvidas para apps devem ser encontradas de maneira simples também nas agências”.

“Uma demanda altíssima que vem dos clientes é o omnichannel”

Ele ressalta a importância que a Internet das Coisas tem em tudo isto. “A Everis usa as tecnologias de IoT como pilar de uma nova tendência chamada de Phygital. O termo deriva das palavras em inglês physical (espaços físicos) e digital (tecnologias digitais), e remete à ideia de que devemos utilizar a tecnologia para melhorar a experiência dos usuários nos espaços físicos. O Phygital é a consciência da IoT, ou seja, uma aplicação nobre para esta tecnologia”.

IoT + BANCOS = BoT

Mas o retorno das agências não é o único movimento na indústria bancária que tem a Internet das Coisas em seu centro. Novas formas de relacionamento banco-cliente nascem do casamento da IoT com as finanças.

Carlos Benitez é CEO da BMP Money Plus. Sua empresa é uma plataforma digital voltada a operações financeiras. Ele explica que a fusão finanças-IoT trará o… BoT.

Carlos Benitez – CEO da BMP Money Plus

“A BMP chama o IoT de BoT, Bank of Things. Desta forma pretendemos utilizar as informações recolhidas de nossos clientes através do uso de todos os canais disponíveis de conexão com a instituição financeira, visando traçar um perfil mais completo do mesmo e oferecer a ele exatamente o que precisa – evitando, desta forma, o acúmulo de informações desnecessárias para o consumidor bancário”, explica Benitez.

“A expectativa é que, quanto mais detalhado o processo de BoT, mais teremos aderência da instituição junto ao cliente, o qual saberá que pode contar conosco sempre que precisar”, enfatiza ele.

Ainda segundo o executivo, algumas das principais inovações tecnológicas que já mudaram e continuarão mudando para sempre o setor bancário são:

  1. Assistente de voz;
  2. Automatização completa dos processos de análise de crédito e consumo de produtos financeiros;
  3. Melhora na qualidade da oferta e do consumo de produtos e serviços financeiros;
  4. Aumento da segurança nos meios de pagamento.

PAGAR, RECEBER, PAGAR. A IoT MUDARÁ ISTO

Alexis Machado, diretor da Indústria de Bancos, Serviços Financeiros e Seguradoras na Cognizant, uma consultoria empresarial internacional, observa que nada deverá mudar tanto com a chegada da Internet das Coisas ao setor financeiro quanto a metodologia de pagamentos das instituições.

“Atualmente já temos engajamentos onde consumidores conseguem efetuar ou autorizar pagamentos por meio do reconhecimento facial, aliado à leitura de informações oriundas de dispositivos que o consumidor está portando. Também é possível identificar um cliente ao entrar em um estabelecimento e assim direcioná-lo para um atendimento mais personalizado – a depender da situação, priorizando suas demandas ou até mesmo reduzindo etapas no processo de identificação ou relato de um pedido”, explica ele.

Mario Toews, sócio e instrutor da Datalege Consultoria Empresarial, levanta outras possibilidades: “Falando principalmente dos bancos que não têm mais agências, que funcionam apenas na internet, deles vem surgindo as maiores chances de evolução na adição da IoT ao mundo financeiro. Em breve você poderá entrar numa loja, fazer uma compra e realizar o pagamento com um relógio que estará conectado ao celular e que, por sua vez, estará conectado à internet, passando toda a validação e autorização visando garantir que trata-se de uma operação segura’.

REVOLUÇÃO BANCÁRIA

As fintechs, percebe-se, estão usando IoT e blockchain para construir sua cadeia de valor. Os bancos dividem-se entre aqueles que ainda estão entendendo este universo e os que já estão comprando participações nas financeiras virtuais para garantir-se nesta nova realidade.

“A IoT representa a chegada da inteligência artificial para o mundo micro-financeiro – mundo das pessoas, e não das instituições”, pondera Erik Felipe Capodeferro, consultor do Ozonean Group. “A Internet das Coisas chegou para permitir micro-pagamentos de forma automatizada. A primeira onde de pagamentos P2P já está se iniciando, com as transferências diretas, e já é uma realidade consolidada no mundo das criptomoedas. É uma questão de tempo para que chegue ao mundo físico.”

Erik Felipe Capodeferro – consultor do Ozonean Group

“A IoT representa a chegada da inteligência artificial para o mundo micro-financeiro”

Arthur Igreja, especialista em tecnologia e inovação e professor da Fundação Getúlio Vargas, vai além: “A IoT vai trazer uma expansão dos meios de pagamentos. No passado, havia como locais de pagamentos os caixas das lojas e os bancos. Tivemos uma mudança de cenário com as maquininhas e o e-commerce. A expectativa é que a Internet das Coisas dará um terceiro passo, que é embarcar os meios de pagamentos em dispositivos. Teremos um device na geladeira, por exemplo, que vai notar que acabou algum produto e posteriormente já fará a compra do item faltante. Essa é a onda da integração dos devices inteligentes com os meios de pagamento”.

Arthur Igreja – Professor da FGV

E Thelma Troise, CEO do Tudo Sobre IoT, a maior comunidade de Internet das Coisas do Brasil, finaliza a questão: “A grande revolução acontecerá quando os bancos compreenderem que as ‘coisas’ são os novos consumidores. Hoje os carros, usando o serviço, por exemplo, do Sem Parar, pagam os pedágios. As nossas casas no futuro poderão pagar de forma automática serviços de delivery, a faxineira e o jardineiro com uma conferência em vídeo e inteligência artificial – sem o dono da residência estar fisicamente no local”.

“A grande revolução acontecerá quando os bancos compreenderem que as ‘coisas’ são os novos consumidores”

É fato, confirma ela, que o dinheiro em papel tende a desaparecer e o consumidor terá a oportunidade de ser surpreendido com novas experiências de serviços e pagamento.  Considerando que hoje o caixa eletrônico é usado principalmente para sacar dinheiro e pagar contas, estes devem ser replicados em qualquer dispositivo – no totem do seu café preferido ou até na SmartTV de sua casa. O objetivo final será sempre será otimizar a experiência do consumidor.

Thelma Troise – CEO do Tudo Sobre IoT

“No setor bancário as experiências será algo que acontece, e não algo que você faz”, crava Thelma, confiante.

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