Como oito campeões da IoT estão mudando o Brasil

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Como oito campeões da IoT estão mudando o Brasil

Indústria, serviços, agronegócio – a Internet das Coisas já está criando, entre nós, um novo mundo

O desenvolvimento da IoT por empresas nacionais como a DEV Tecnologia, ou por multinacionais que operam em nosso país, já está alterando progressivamente o ambiente produtivo nas fábricas, lojas e campos espalhados pelo território.

E este processo está só começando. Não só entre nós, mas também no resto do planeta. Quanto mais ele se expande, mais transforma a realidade ao seu redor. Não há setor econômico que vá ficar imune à Internet das Coisas.

IoT News falou com executivos de 7 empresas e 1 instituto de pesquisa para sentir o pulso de tal transformação. O que descobrimos foi fascinante.

A primeira questão importante a notar é a consciência de que a IoT é um meio e não um fim. A solução tecnológica representa um caminho visando gerar engajamento e alcançar objetivos mais amplos, como conhecer melhor os clientes e seus hábitos para oferecer experiências diferenciadas. Afinal, as marcas querem entender o consumidor individualmente e têm como propósito gerar relações duradouras, conectando-se com ele.

O segundo ponto importante é a consciência de que as coisas conectadas não são apenas produtos e sim sistemas, ou seja, algo bem mais complexo. Por exemplo, um grande varejista está apostando em etiquetas de preço inteligentes com sensores que detectam a quantidade de produtos na gôndola como forma de evitar o problema crítico de ruptura, que é a falta do item no momento em que o consumidor deseja comprá-lo. Além disso, ele será capaz de oferecer preços personalizados e, assim, garantir a otimização de seu ciclo de estoque.

O desafio real dessas soluções no Brasil e no mundo é a escala. A implantação da solução em um ou mais pontos-piloto é algo mais simples, mas exige um acompanhamento próximo. Porém, quando se trata de escalabilidade para toda uma cadeia, em diferentes geografias, questões extremamente importantes como a viabilidade financeira e a logística de operações e ecossistemas de parceiros tornam-se fundamentalmente críticas e complexas.

Vamos, agora, conhecer 8 atores que trabalham a fundo com Internet das Coisas. Eles têm muito a nos contar.

Natura

William Franco é gerente de Engenharia Industrial na Natura. A companhia é uma das mais conhecidas empresas brasileiras no exterior – e que vem empregando cada vez mais intensamente a Internet das Coisas em suas linhas de produção.

“Na Natura já temos mais de 5.000 sensores conectados para medições de processos, energia elétrica, consumo de água – variáveis críticas para garantir a qualidade, sustentabilidade e eficiência de nossos processos”, conta ele. “Essa transparência nos ajuda a ter maior produtividade e redução de custos”.

Franco explica que a IoT é uma tecnologia que ajuda na visibilidade e transparência do que está acontecendo com nossas fábricas. “Com as ‘coisas’ conectadas, conseguimos entender o comportamento e tomar decisões assertivas. Como gerente de Engenharia Industrial tenho trabalhado com IoT nas fábricas, conectando os sensores de diversos processos e recebendo em tempo real informações importantes para ganharmos produtividade e aumentarmos o nível de qualidade dos nossos produtos. Pretendemos aumentar cada vez mais a utilização dessa tecnologia em nossas fábricas e em nossa cadeia produtiva, interligando informações de nossos fornecedores/comunidades, fábricas, distribuidores e pontos-de-venda”.

CI&T

A CI&T é uma multinacional brasileira especialista em transformação digital. Carlos Eduardo Cunha Silva é engenheiro de software na empresa, e está empolgado com tudo que a Internet das Coisas vem trazendo à companhia.

“A CI&T vem desenvolvendo IoT na prática, nos últimos 3 anos, e demonstrando que esse assunto não é somente uma aspiração e uma visão futurista, mas sim algo tangível para a realidade das empresas”, pontua ele. “Temos diversas iniciativas em diferentes segmentos, os quais têm nos trazido grandes aprendizados ao longo dessa jornada. Uma delas, inclusive, é aplicada na própria CI&T e virou um produto: o FreeRoom. Trata-se de uma solução de Internet das Coisas para Smart Offices, a qual permite a otimização da utilização das salas de reunião e outros recursos corporativos por meio de sensores conectados na nuvem, que monitoram a ocupação desses espaços em tempo real”.

E ele diz mais a respeito: “No universo da inovação muito se fala em indústria 4.0, mas o real significado desse conceito vai muito além da automação. Aqui na CI&T lidamos diariamente com demandas do setor industrial e, no contato com diferentes empresas, pudemos perceber que muitos dos projetos pensados e desenvolvidos na linha 4.0, considerados revolucionários, não passam de construções, na melhor das hipóteses, obsoletas. Uma atualização tecnológica apenas. A indústria 4.0 pertence a um mundo altamente conectado, que não existe somente para facilitar processos ou a comunicação entre as pessoas, mas que permite possibilidades ilimitadas de captação e análise de dados e, logo, de transformação do conhecimento. Neste caso, a aplicação da IoT muda o processo de produção como um todo”.

Instituto Mauá de Tecnologia

Prof. José Carlos de Souza Junior, Instituto Mauá de Tecnologia

Situado no Estado de São Paulo, o IMT (Instituto Mauá de Tecnologia) é um dos principais polos brasileiros onde se pensa e se cria IoT local. E quem fala a respeito para a IoT News é ninguém menos que o Reitor do Instituto, professor José Carlos de Souza Junior.

“A IoT pode ser entendida como a base para uma série de avanços que irão ocorrer nos produtos e serviços desta nova era. A diferenciação é a demanda de um mercado composto por pessoas (seres humanos) que possuem características, expectativas e conceitos diferentes. A padronização imposta pela revolução industrial até sua terceira onda não atende mais ao mercado atual”, explica Souza Junior.

“Aqui no Instituto Mauá de Tecnologia temos por conceito que a IoT opera como base para uma revolução que ocorre sobre os pilares que ela mesma cria; trata-se do BoE (Behaviour of Everythings), ou Comportamento de Todas as Coisas, onde técnicas de IA (Inteligência Artificial) e outros podem analisar os dados que a camada de IoT entrega e criar interpretações de comportamento, que por sua vez agregam em muito à percepção de valor de um produto e/ou serviço”.

Schneider Electric Brasil

A Schneider Electric é líder global na transformação digital em gestão da energia elétrica. Sua filial brasileira é um dos centros difusores do uso da Internet das Coisas para as outras unidades da companhia espalhadas pelo mundo. É o que nos conta Carlos Urbano, diretor de Automação Industrial da empresa.

“Um de nossos principais produtos é o IOT Box, um novo PC industrial com excelente custo-benefício que pode rodar as soluções advisors da Schneider Electric com base Schneider ou de terceiros, assim como softwares Scada. Outro diferencial é a opção de ser um hotspot de internet utilizando tecnologias 3G/4G. O IOT Box torna-se uma ferramenta habilitadora de IOT para máquinas e indústrias que ainda não estão conectadas à nuvem”.

“Outra plataforma de serviços inovadora nossa é o EcoStruxure Machine Advisor, baseada em nuvem, com foco em manutenção preditiva que rastreia máquinas em operação por geolocalização, monitora seu desempenho e corrige irregularidades para prolongar a vida útil dos equipamentos”, continua ele. “Mas a solução IoT que temos mais inovadora é o EcoStruxure Augmented Operator Advisor, software de realidade aumentada que permite a fusão do ambiente físico com objetos virtuais em painéis e sistemas de automação, dando a operadores e técnicos acesso imediato às informações relevantes do ambiente predial e industrial. Essa ferramenta permite que diferentes usuários em uma planta (do operador ao CEO) tenha acessos diferenciados em seu celular, com informações relevantes para sua posição e KPI’s específicos de seu interesse”.

Logicalis

Rafaela Mancilha é gerente de IoT da Logicalis, uma empresa global de soluções e serviços de tecnologia da informação e comunicação. A companhia está mergulhando fundo no mundo da Internet das Coisas.

“Na Logicalis, estamos investindo em IoT há cerca de seis anos. O primeiro passo foi o desenvolvimento de uma plataforma própria de IoT, o Eugênio, que correlaciona todos os dados coletados por sensores – novos e legados – e outros sistemas, gerando informações e insights de negócios para melhorar a tomada de decisões”, explica Rafaela. “A plataforma já é oferecida a alguns clientes no modelo as a service, o que confere flexibilidade e economia à solução, garantindo escalabilidade aos projetos sem a necessidade de investimentos pesados de infraestrutura”.

“Com base nela, começamos a criar inúmeros projetos de IoT para clientes de diferentes segmentos, como agronegócio, saúde, utilities, varejo, manufatura, entre outros”, continua a executiva. “Além disso, desenvolvemos uma plataforma de hardware com arquitetura modular para os projetos de IoT, o Eugênio Cube, e em junho deste ano abrimos as APIs (Application Programming Interface) da plataforma, para que desenvolvedores tenham à sua disposição os conjuntos de rotinas e padrões de programação da ferramenta para desenvolver aplicações de internet das coisas, fomentando ainda mais o setor”.

E Rafaela finaliza: “Nós já temos alguns cases bem interessantes desenvolvidos com o Eugênio. Entre os exemplos que podemos citar estão um projeto de manutenção preditiva para a Renault-Nissan; um sistema de coleta de lixo inteligente em Granada, na Espanha; uma tecnologia para monitoração e abertura inteligente de sites de uma operadora de telecomunicações e o projeto de iluminação pública para a cidade de Belo Horizonte, em parceria com a BHIP. Essas iniciativas impactam não só o nosso cliente, mas a sociedade como um todo”.

Pormade Portas

Claudio Zini, Pormade Portas

A Pormade Portas, como o próprio nome deixa claro, fabrica portas. O produto pode parecer simples, mas não é – e a empresa está fazendo uso de Internet das Coisas para melhorar seus processos. Quem nos conta isto é Claudio Zini, diretor-presidente da companhia.

“Na Pormade, a IoT está sendo usada principalmente para melhorar os processos de atendimento e o relacionamento com os clientes. Um exemplo é o chatbot, que possibilita um atendimento ao cliente 24 horas por dia e 7 dias por semana. Nosso comprador acessa o site e tem o suporte do robô, que tem sua configuração feita pelos colaboradores, podendo tirar dúvidas e auxiliar totalmente o processo de compra. Além do chatbot, trabalhamos com sistemas de análises, simuladores e ferramentas que integram os canais de atendimento, otimizando assim as operações realizadas pelos atendentes da empresa”.

E ele pontua: “Na Pormade sempre buscamos trazer essas inovações e colocá-las em prática para que seja possível melhorar os processos internos e também ajudar o cliente no processo de compra, pois entendemos que comprar portas é complexo, ainda mais se for pela Internet. Esse desafio é algo que já tornamos possível graças ao uso da IoT e das novas tecnologias. As pessoas mudaram seus costumes e hábitos, a tecnologia está caminhando junto com as gerações e no futuro que hoje podemos visualizar, ela se tornou indispensável”.

Came do Brasil

Marco Barbosa, Came do Brasil

O CAME Group é uma empresa de origem italiana com mais de 40 anos no mercado e líder mundial em produtos para automação de acesso. Sua filial brasileira tem sede em Indaiatuba, interior de São Paulo, e usa intensamente IoT.

“Na Came, nós entendemos que a IoT é muito importante e é o futuro para os nossos sistemas de segurança pois garante um acesso mais rápido e fácil por parte dos clientes. Dessa forma, investimos nisso para garantir o conforto dos clientes. Você pode evitar um roubo, por exemplo, com apenas um toque”, relata Marco Barbosa, diretor da Came do Brasil. “Eu acredito que, com a nova demanda do mercado por soluções que busquem cada vez mais garantir o conforto dos usuários, otimizando as mais diferentes atividades rotineiras, a IOT vai se consolidar fazendo parte da vida das pessoas. O mundo digital vai se misturar com o mundo real”, completa ele.

ICX Labs

Fábio Avellar, ICX Labs

Uma startup brasileira de tecnologia para desenvolvimento de software e hardware inovadores: este é o ICX Labs. Fábio Avellar é executive partner da empresa, e conta acerca dos usos feitos pela companhia da Internet das Coisas.

“A ICX Labs é uma empresa que utiliza o IoT no seu dia-a-dia para ferramentas de desenvolvimento de software (sensores e tags), além de os nossos técnicos e desenvolvedores utilizarem desta mesma ferramenta. Também criamos produtos e soluções IoT para tentarmos entender quais itens, uma vez implementados, geram mais vantagens competitivas e operacionais para os nossos clientes”.

E ele finaliza, com propriedade: “A adoção de produtos conectados é um caminho sem volta. O IoT é um mercado amplo e diversificado atualmente, onde encontramos desde sensores de temperatura e assistentes de voz até geladeiras e lâmpadas conectadas. Embora exista grande esforços de associações e fabricantes para padronizar soluções de IoT, a velocidade com que as inovações de Internet das coisas surgem no mercado é gigantesca”.

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